Monday, 31 July 2006

Desserviço Público

Quando eu tinha 3 anos, eu queria ser motorista de ônibus. Aos 5, eu queria ser o Rambo. Em 1989, eu queria ser Presidente da República. Maiorzinho, eu já queria ser engenheiro (só não sabia ainda qual especialidade). Nenhuma dessas quatro profissões requer curso superior tampouco alguma prova eliminatória. (talvez pra ser Rambo precise de algum teste de atuação, mas se o Stallone conseguiu, eu também consigo, oras!)

Mamãe só queria que eu fosse feliz e ganhasse o suficiente para propiciar aos meus filhos todo aquele conforto e aquelas coisas bem classe média que eu sempre quis ter, mas nunca tive oportunidade, tipo aulas de música, de esportes, cursos sobre coisas variadas, viagens, intercâmbios, escola particular (apesar que eu não precisei dela) e quaisquer outras coisas que contribuam para o desenvolvimento dos pimpolhos. (incluindo videogames, obviamente)

Mas daí veio a realidade. Não dá pra por duas (ou três) crianças numa escola decente sendo motorista de ônibus. O Rambo já saiu de moda faz mais de 15 anos (embora haja uma seqüência sendo rodada). E pra ser Presidente, eu teria que desistir dos meus princípios e ceder às pressões de partidos, "aliados" e todo tipo de interferência destrutiva externa, uma vez que no nosso país há um parlamentarismo branco, de fato.

Sobrou a engenharia então, coisa que vem perturbando a minha cabeça desde 1992. As pessoas diziam que eu levava jeito pra coisa. EU achava que levava jeito pra coisa. Os testes vocacionais também gritavam na minha orelha que eu levava jeito pra coisa. E hoje, 14 anos depois, as pessoas continuam a dizer que eu levo jeito pra coisa, exceto as do setor de RH.

E se as coisas não seguem o seu caminho natural, é sinal de que há alguma coisa muito errada. Talvez eu esteja procurando as coisas no lugar errado, talvez eu não conheça as pessoas certas, talvez o pessoal do RH tenha algum tipo de preconceito contra gente que sofra de TOC, ou ainda, os testes vocacionais e as pessoas tenham mentido pra mim.

Então, cheguei a uma conclusão: enquanto as coisas dependerem única e exclusivamente de meu próprio esforço e capacidade, tudo dá certo. E ela, mamãe, que sempre quis que eu tivesse uma vida tranqüila e sem grandes males contra os quais lutar, sempre dizia que eu devia fazer um daqueles concursos mais "porrada", daqueles que requerem uma formação específica na área e pagam qualquer coisa entre 3 e 8 mil reais. Sei lá eu, Polícia Federal, Banco Central, Petrobras, coisa assim.

Talvez ainda, podia fazer só aqueles concursos tipo INSS, Receita Federal, Ministério Público, ou qualquer coisa que não me faça sentir que estou com a cabeça a prêmio a todo instante, ou que me deixe tempo para me dedicar a atividades extras que contribuam para o meu crescimento enquanto pessoa e que me permitam ser o pai e o marido participativo que eu sempre sonhei ser.

E o sucesso profissional, como que fica? Pra mim, sucesso profissional é atingir o ponto de equilíbrio, encontrar o balanço ideal entre renda, estresse e tempo para cuidar de si, de forma a transformar a vida em algo mais interessante de se viver.

Nem tudo na nossa vida acontece do jeito que a gente quer, por mais que tentemos. Ou a gente se conforma com o que deu pra conseguir, ou mudamos nossos planos. É difícil, eu sei, mas dá-se um jeito.

Mãe, quando eu crescer eu quero ser sábio, sereno e infalível como você.

1 comment:

Anonymous said...

gui, vc é foda! :)

bjs